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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A educação como instrumento para a manutenção cultural

1.                INTRODUÇÃO

                Por muito tempo, dizia-se que “índio de verdade” só se encontrava na Amazônia e no restante do país eram índios “misturados”, já estavam em vias de perder sua cultura e identidade. Esse pensamento foi promovido pelo indigenismo (e por certa Antropologia), onde a falsa dicotomia entre “índios puros” e “índios misturados” prevaleceu (Silva, 2005:127). Ainda hoje, esse pensamento prevalece em grande parte da população brasileira que, por sua vez, não tem acesso aos novos estudos e discussões que são promovidos pela comunidade acadêmica.
            As populações indígenas do Nordeste que se viam estigmatizadas por essa linha de pesquisa, atualmente, recebem a devida atenção dos antropólogos e indigenistas. Pacheco de Oliveira (1999) e Secundino (2003) escreveram trabalhos maravilhosos, onde apontam toda a trajetória histórica vivida pelas populações nordestinas e a necessidade de promover a elas um estudo mais aprofundado para que possam ter a garantia de seus direitos e autonomias.
            O maior problema enfrentado pelas comunidades indígenas do Nordeste, decorrente a falta de estudo sobre ao peculiar processo histórico em que estas estão inseridas, é a demarcação de terras. O descaso das políticas públicas indigenistas e o intenso contato com a sociedade não-indígena tem colocado essas populações em um intermitente conflito entre indígena e grandes latifundiários ou empresários do ramo de hotelaria. No caso dos Pataxó por exemplo, “no pensamento dos empresários da região, principalmente nos ramos de hotelaria e turismo, eles deviam tomar as rédeas da Coroa Vermelha, tirar os índios dali e colocar suas moradias bem longe na floresta.” (Grünewald, 2003: 60)
            Nesse universo de populações indígenas nordestinas, a que destacarei no presente trabalho será a etnia Pataxó, grupo indígena que me acolheu e me dedico a estudar. A importância de dar voz a estes grupos que são subjugados e relegados pelas políticas indigenistas, sempre colocados à prova sua identidade, contribui para a luta e resistência vivenciadas por eles. Pois, se as populações indígenas que não recebem questionamentos sobre sua identidade já sofrem com a falta da prática e descaso das políticas públicas, quiçá as questionadas quanto a isso o tempo todo.

Professor de Cultura, Tamarú


2.                A IDENTIDADE PATAXÓ EM QUESTÃO

Giménez (2008) – em seu livro de testemunho pessoal das suas vivências no sul baiano – conta um pouco sobre os Pataxó. Afirma que num primeiro olhar não se via tanta diferença entre um Pataxó e qualquer um dos caboclos da vila[1], entretanto, ao observar mais profundamente em sua convivência, foi possível perceber como os costumes e pensamentos Pataxó eram tão adversos ao dos outros moradores da região.
De fato, pude perceber nos trabalhos produzidos sobre este grupo étnico, a observação da reorganização da cultura Pataxó em alguns aspectos (Pedreira, 2013). Pois, se pegarmos os relatos dos viajantes do período colonial e imperial que caracterizaram os Pataxó, não encontraremos descrições semelhantes aos Pataxó atuais (Cancela, 2007). Pacheco de Oliveira (1997) faz um panorama histórico sobre os processos interétnicos ocorridos na Bahia e os processos de etnogêneses, o autor salienta que antes do século XIX já não se diziam em povos indígenas no Nordeste (Idem:58). Entretanto, sabe-se que o discurso da inexistência de populações indígenas caia (e ainda caem) muito bem em áreas de interesses políticos e econômicos.
Castro (2008) orienta muito bem uma reflexão sobre esse fenômeno da aparente baixa distintividade sociocultural que os grupos nordestinos possuem. Discute a posição que a antropologia geralmente toma em relação aos povos indígenas, com seus conceitos e padronizações. Contudo, todos eles caem por terra quando se tratam das populações indígenas nordestinas – “indígenas nordestinos são um caso específico”. O processo histórico que envolveu esses povos necessita de novos olhares e argumentações diferentes das sempre promovidas pela Antropologia Clássica e a própria História. Pois a reinvenção e ressignificação[2] são processos de lutas políticas, já que o órgão tutor exige das comunidades nativas certos elementos para que sejam reconhecidos e assim conseguirem assistência e principalmente a demarcação de seus territórios. E “a simples substituição de uma teoria da aculturação por uma teoria de etnogênese negligencia uma série de acontecimentos efetivamente vividos” (Castro, 2008:87). A meu ver, o termo etnogênese nos leva a pensar em “nascimento de uma etnia”, entretanto, quase a totalidade dos grupos indígenas que entram na caracterização de etnogênese já existiam, como os Pataxó. A História nos mostra que sim, em alguns momentos omitiram suas identidades como forma de proteção, mas não deixaram de ser o que são, Pataxó.  Felizmente, muitos conceitos predominantes estão sendo superados atualmente (Silva, 2005).
Oponho-me ao discurso de Giménez quando julga a perda da verdadeira identidade Pataxó “em troca de histórias contadas pelos ‘brancos’ e ‘esbranquiçados’ das ONGs indigenistas e do CIMI”[3]. Posso até tentar compreendê-la, mas ao refletir sobre todos os processos históricos passados pelos Pataxó e a leitura de vários teóricos da área, sinto-me na obrigação de discordar. Primeiro, não se perde a cultura. A cultura por ser dinâmica, é manipulada, ressignificada, modificada, mas nunca é perdida (Silva, 2005:118). Segundo, é visível a contribuição dos órgãos não governamentais na melhoria das condições de vida dessa população. Penso até que, se não fosse o apoio dado por elas, os Pataxó continuariam sofrendo um decréscimo populacional considerável. Até quem sabe talvez, infelizmente, fazer jus as premissas e afirmativas de Darcy Ribeiro[4].
Enfim, o apoio dado pelos órgãos não governamentais indigenistas contribuiu muito para a organização política desses grupos. Orientações que nunca receberam ou que deveriam receber dos órgãos oficiais do Governo responsáveis pela questão indígena. Na década de 30, por exemplo, os Pataxó e outras etnias do extremo sul baiano foram relegados e o SPI se manteve omisso diante de suas necessidades. Por volta dos anos 40, um Posto Indígena foi construído, o Caramuru-Paraguaçu (Cunha, 2010:37). Contudo, seu objetivo principal era capturar indígenas para trabalhar nas fazendas da região e promover os propósitos das políticas indigenistas da época, a integração e civilização das populações nativas. O relato a seguir de Dona Maura nos dá uma ideia da situação:

Meus pais moravam na mata, mas um dia o SPI tirou eles da mata; foi quando abriram posto Caramuru-Paraguaçu [...]. Naquela época eles capturavam muitos índios da mata e tratavam de todo jeito. Botaram no meio dos “civilizados”. Eles pegaram os maridos e deixaram as esposas no mato ou pegaram os filhos e traziam sem a mãe, sem o pai [...]. Muitas crianças foram criadas pelo chefe do posto. Muitos morriam também de tristeza, amarrados a um pau e com saudades dos parentes que ficaram no mato.[5]

Neste mesmo período, uma equipe enviada por Getúlio Vargas veio até a região habitada pelos Pataxó para verificar a área que seria fundado o Parque Nacional do Monte Pascoal. O Alm. Gago Coutinho relata o que encontrou na Aldeia Barra Velha:

É desolador o aspecto de miséria do povoado onde passamos a primeira noite [...] temos visto caboclos inteiramente doentes e analfabetos. Na aldeia Barra Velha encontramos uma pequena população descendentes dos tupiniquins. Todo mundo é doente. Uns atacados pelo impaludismo, outros pela verminose.[6]

Porém, Veronez (2008:30) nos dá outro parecer, muito semelhante ao que Mani me disse na Geru Tucunã ao relembrar sua infância em Barra Velha, de que os Pataxó,

Gozavam de certa prosperidade, produziam farinha de mandioca, extraíam da mata cordas de embira, faziam gamelas e colheres de madeira, tiravam a piaçava para vender. No pé do monte Pascoal plantavam banana, café e cacau. Os produtos eram vendidos aos moradores dos pequenos povoados que moravam próximo à região.
A autonomia dessa comunidade foi dramaticamente interrompida quando as primeiras equipes técnicas visitaram a área, estabelecendo contatos para a demarcação do Parque Nacional Monte Pascoal, em 19 de abril de 1943, apoiadas pelo Decreto nº 12.729.

Pois bem, voltando a Gimenez (2008), sobre sua reflexão de que exteriormente pouco se diferenciava um Pataxó de um caboclo sul baiano, contudo carregavam em si, em seu cotidiano, lógica, crenças e costumes particulares. Em conversas informais com Bayara e Mani, respectivamente cacique da Aldeia Geru Tucunã e sua esposa, relembraram seus tempos infantis em Barra Velha, os costumes de se cozinhar na folha de patioba, dormir em jirau, entre tantos outros hábitos mantidos por eles, mas que não se repetiam entre os caboclos da redondeza. Entretanto, o exterior sempre contou muito, infelizmente, e, por conta disso, ao decretar a implantação do Parque Nacional do Monte Pascoal, afirmaram que naquela região não moravam indígenas, mas sim, uns poucos caboclos maltrapilhos, posseiros daquela terra (Sampaio, 2000:36). Assim, a construção do Parque poderia ser efetivada sem problema algum.
Quando Getúlio Vargas assume o poder nos anos 30, começa uma política de nacionalização. Esse novo movimento, buscava sobretudo, dar ênfase e valorizar de maneira positiva o discurso da mistura entre as três raças[7]: negra, branca e indígena. E “para implementar tais tarefas, o governo getulista promove a construção institucional de espaços físicos ou simbólicos” no intuito de “manter uma certa continuidade com o passado, com a tradição.” (Barbalho, 2007:40) Assim, o Monte Pascoal, território tradicional Pataxó, torna-se Patrimônio Nacional pelo Decreto Lei nº 179 de 19 de Abril de 1943 por ser o primeiro avistamento de terra pelos Portugueses quando chegaram às terras que viriam a ser chamadas de Brasil, portanto, justificaria tornar-se um símbolo nacional. Entretanto, para a construção do PNMP[8], uma das exigências era a saída dos moradores indígenas e não-indígenas daquele local. Entretanto, vale citar que o Monte Pascoal se tornou território tradicional dos Pataxó, desde abril de 1861, “quando o governo da Província da Bahia reuniu comunidades indígenas dispersas na região de Porto Seguro em um único aldeamento”[9]. Contudo já em 1788, em uma carta datada de 31 de Julho, o padre Cypriano já relatava que “nas vizinhanças do Monte Pascoal e nas suas fraldas está situada as aldeias do gentio Pataxó, que saem muitas vezes a praia para pescar tartarugas”[10].
Em todo o processo que se deu desde o decreto para a construção do PNMP ao ano de 1951, os Pataxó buscaram seu reconhecimento étnico e demarcação de suas terras. Infelizmente, não foi possível e no emblemático ano de 1951, no mês de maio, ocorre um terrível massacre que promove uma diáspora populacional. Após esse confronto, temerosos com o que mais poderia acontecer, os Pataxó saem de seu território e inicia-se um processo de omissão da identidade. Nesse processo de esquecimento (Pollack, 1989), os Pataxó silenciam-se sobre sua história e sua cultura.
O que me cabe perceber, é que após anos de silêncio identitário e da própria história, os Pataxó perceberam que retomar e revitalizar sua história e significância traria muito mais frutos do que a omissão. O acontecimento de 51 já não é mais apenas um fato na trajetória Pataxó, mitificado a história, ele assume características de narrativas míticas. Assim, manipulando (Silva, 2005:117) suas identidades, revisitando seu passado e ressignificando símbolos, o grupo reafirma seu compromisso diante de toda a sociedade e com eles mesmos.
 
Escola da Aldeia Geru Tucunã, Felicina/MG


3.                 A EDUCAÇÃO ESCOLAR E INDÍGENA PATAXÓ
P- Escola então é importante?
Tururim - É importante. Pataxó com escola não é enganado por branco. Se Pataxó soubesse ler não teria acontecido a desgraça de 1951. Como cacique penso mais no futuro. Devo pensar no futuro do meu povo. Futuro é muito importante. Futuro é igual a passado. Não deve ser desprezado. Se acontecer nova violência povo Pataxó acaba. Isso eu tenho que pensar muito. Por isso eu falo pro meus irmãos; escola, estrada, tudo isso é importante pra Pataxó.
P - Alfredo do que é que vocês mais precisam?
Uma escola para quitoque. Quem geme é quem sente a dor. Só se põe o chapéu onde alcança a mão. Índio é ingênuo, bom, e não sabe bem quando civilizado está enganando. Por isso escola. Tem muito quitoque sem escola, crescendo, e sempre ingênuo. Se índio soubesse ler não teria ido na conversa dos dois homens que vieram do Rio e enganaram o chefe Onório. Índio nem quer lembrar isso, mas veve lembrando.[11]

Por algum tempo, o Fogo de 51, se manteve silenciado, a própria identidade se manteve omissa. Após o triste episódio, dizer-se indígena era temido. Acima de tudo, relembrar e contar as atrocidades vividas naquele infeliz mês de maio doía muito. Ainda dói. Os mais velhos da aldeia costumam não querer dizer sobre o Fogo e quando dizem é uma narrativa cheia de silêncios e reticências. A história também se faz pelo não dito, pelo que não se quer dizer. A memória é seletiva e só seleciona o que julga importante (Pollack, 1989). E os Pataxó compreenderam que recontar a história e vivificá-la é um importante meio de luta e reafirmação étnica. Perceberam que ao se interessar por seu passado e não teme-lo, ajudam a construir um caminho melhor para o futuro.
Para se ter uma ideia, os Pataxó despontam no quesito educação escolar indígena, pois viram que com um ensino de qualidade nunca mais passariam por  situações como a do Fogo. Mais estratégicos e autônomos, os Pataxó tem revitalizado sua cultura, buscando sempre o novo, buscando sempre conhecimento em diversas áreas. Sabe-se que a muitos jovens ingressam ao ensino superior em busca de capacitação para as áreas que não tem tanto domínio.
            Bomfim (2012), em sua tese de mestrado, trabalha o processo de retomada da língua pataxó (patxohã), ou processo de “revitalização da língua”. Ela própria é Pataxó e busca dar “relevância à experiência do povo Pataxó com a escola, ao papel da escola no fortalecimento no ensino de patxohã nas aldeias” (Idem:16) e as motivações da política linguística nas aldeias.
            O crescente processo de escolarização entre os Pataxó também é comentada por Carvalho (2009:518). Os Pataxó perceberam que a escolarização ajudaria em sua organização étnica e política. Veronez (2008) é quem faz um estudo mais aprofundado sobre a importância da escolaridade na manutenção da identidade Pataxó. Ela mostra que:

As lideranças políticas das aldeias compreendem a escola como um meio de conferir capacidade aos estudantes para que estes sejam sujeitos críticos e políticos, e futuramente se tornem os agentes de transformação engajados social e politicamente com as comunidades em que estão inseridos. Uma força sutil de resistência que se faz perdurar na dinâmica e no modo de ser Pataxó.

            Assim, a escola é para os Pataxó um instrumento de luta e resistência na manutenção da cultura e da revitalização da língua patxohã.
 
não é preciso paredes para o aprendizado
4.                CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os Pataxó são um dos grupos do Nordeste que participam/participaram da luta pelo reconhecimento étnico. Como tratei no texto, o termo etnogênese pode soar como “nascimento de uma etnia”, que não é o caso dos Pataxó, pois como a história demonstram sempre estiveram lá e foram até inimigos da coroa.
Entretanto, a revitalização da cultura e a ressignificação de certos elementos surgem no processo atual e peculiar que as comunidades indígenas presentes no Nordeste brasileiro estão inseridos.
A escola é fundamental nesse processo, pois é através dela que conhecimentos tradicionais e ocidentais são transmitidos, auxiliando assim na construção de cidadãos indígenas mais engajados politicamente.

5.                Referências

ARRUTI, José Maurício. Indianidade: etnogêneses indígenas. In: Povos indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006.

BARBALHO, Alexandre. Políticas culturais no Brasil: identidade e diversidade sem diferença. In: _________________ (org). Políticas Culturais no Brasil. Salvador: EDUFBA, 2007.

BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand. Brasil, 2000.

CANCELA, Francisco. A presença de não-índios nas vilas de índios de Porto Seguro? Relações interétnicas, territórios multiculturais e reconfiguração de identidade - Reflexões inciais. In: Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 42-61, jul./dez. 2007.

CARVALHO, Maria Rosário de. O Monte Pascoal, os índios Pataxó e a luta pelo reconhecimento étnico. In: CADERNO CRH, Salvador, v. 22, n. 57, p. 507-521, Set./Dez. 2009.

CASTRO, Maria Soledad Maroca de. A reserva Pataxó da Jaqueira: o passado e o presente das tradições. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília. Brasília, 2008.

CUNHA, Elba Monique Chagas da. Sertão, sertões: colonização, conflitos e História Indígena em Pernambuco no período pombalino (1759 – 1798). Dissertação de Mestrado em História Social da Cultura Regional na Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de História, Recife, 2013.

DANTAS, Beatriz Gois et. Alli. Os Povos Indígenas no Nordeste Brasileiro: Um Esboço Histórico. In: CUNHA, Manuela Carneiro da. (org.) História dos índios. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

GIMÉNEZ, Célia Beatriz. Bahia Indígena – Cultura da Nação Pataxó. Bahia: Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, 1995.

_____________________. Fibra Baiana. Campinas, SP: Komedi, 2008.

GRÜNEWALD, Rodrigo de Azeredo. Os Pataxó e os fluxos coloniais. Trabalho apresentado no GT – POVOS INDÍGENAS, coordenado por João Pacheco de Oliveira e John Manuel Monteiro no XXVI Encontro Anual da ANPOCS. Outubro de 2002, Caxambu, MG.

LIMA, Ana Paula Ferreira de. As comunidades indígenas em Minas Gerais. 2011. Disponível em: <http://www.anai.org.br/povos_mg.asp#QUADRO> Acesso em: 27/05/2013
PACHECO DE OLIVEIRA, João. Uma etnologia dos índios misturados? Situação colonial, territorialização e fluxos coloniais. In: Mana,  Rio de Janeiro, v. 4, n.1, abril, 1998.

PARAÍSO, Maria Hilda Baqueiro. Caminhos de ir e vir e caminhos sem volta: índios, estradas e rios no sul da Bahia. Tese de Mestrado em Ciências Sociais, Salvador: UFBA, 1983.

PEDREIRA, Hugo Prudente da Silva. Aldeia Velha, "nova na cultura": reconstituição territorial e novos espaços de protagonismo entre os Pataxó. In: Cadernos de Arte e Antropologia, Vol. 2, No 2, 2013.

Povo Pataxó. Inventário Cultural Pataxó: tradições do povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia. Bahia: Atxohã / Instituto Tribos Jovens (ITJ), 2011.

SAMPAIO, José Augusto Laranjeiras.Breve Histórico da presença indígena no Extremo Sul Baiano e a questão do Território Pataxó do Monte Pascoal. In: Cad. hist., Belo Horizonte, v.5, n.6, p. 31-46, jul. 2000.

SANTOS FILHO, Roberto de Lemos dos. Apontamentos sobre o Direito Indigenista. Curitiba: Juruá, 2005.

SECONDINO, Marcondes de Araújo. Dialética da Redemocratização e Etnogênese:          Emergências das Identidades Indígenas no Nordeste Contemporâneo. Disponível em:<http://www.revista.ufpe.br/revistaanthropologicas/index.php/revista/article/view/25> Acesso em: 10/04/2014.
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VILHENA, Luis dos Santos. A Bahia no século XVIII. Vol. 2. Salvador: Editora Itapuã: 1969.

VERONEZ, Helânia Thomazine Porto. Escolaridade e Identidade Cultural: A construção da educação indígena no Extremo Sul da Bahia. In: Práxis Educacional. Vitória da Conquista, v.4, n.5, p. 27-43 jul./dez. 2008.

RIBEIRO, Darcy. Os índios e a civilização. Editora Vozes Ltda, 1968.

WIED MAXIMILIAN, Prinz Von. Viagem ao Brasil. Tradução de Edgar S. de Mendonça e Flávio P. de Figuereido. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da USP, 1989.







[1] A autora se refere a Coroa Vermelha, uma cidadezinha próxima a Aldeia Barra Velha e a Mata Medonha, territórios tradicionais Pataxó.
[2] Sobre os termos, ver em: BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand. Brasil, 2000.
[3] GIMÉNEZ, Célia Beatriz. Fibra Baiana. Campinas, SP: Komedi, 2008. P.164
[4] Dado como extintos, pelo antropólogo em 1957. Ele afirmava também que até o final do século XX as populações indígenas seriam extintas.
[5] Relato de Dona Maura. In: Comunidade Pataxó-hã-hã-hãe. Índios na visão dos índios. 2004, p. 10.
[6] CASTRO, R. Berbert de (org.). Sob os Céus de Porto Seguro. Salvador: diretoria de Cultura e Divulgação do Estado da Bahia; Imprensa Oficial do Estado, 1940, p. 132.
[7] Grifo por pensar o termo Raça deveras ultrapassado. Posto que vivemos em um mundo puramente conceitual, outros poderiam cumprir bem esse papel. Falar em povo, etnia, ascendência, até mesmo nação soa bem mais magnânimo, pois exalta o ser e sua origem e não o classifica. Disserto melhor sobre esse tema numa postagem em meu blog sobre temática indígena, disponível em: < http://promessasdosol.blogspot.com.br/2013/06/ao-terminar-leitura-do-artigo-de.html >
[8] Parque Nacional do Monte Pascoal.
[9] Povo Pataxó quer o Monte Pascoal de volta. Disponível em: < http://www.socioambiental.org/website/parabolicas/edicoes/edicao53/reportag/p03.htm> Acesso em: 15/09/2012
[10] CARTA do padre Cypriano Lobato Mendes a D. Pedro III sobre a economia da capitania da Bahia. Salvador, 31 de julho de 1788. AHU_ACL_CU_005-01, Cx. 68, D. 13019.
[11] Trecho de uma entrevista feita por um jornalista em 1968 com Seu Tururim , quando este era Cacique, e Alfredo Braz vice-cacique, e ainda estavam lutando para a demarcação do Território Pataxó de Barra Velha. In: BONFIM, Arani Braz. Patxohã, “Língua de Guerreiro”: um estudo sobre o processo de retomada da Língua Pataxó. Dissertação de mestrado do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos, UFBA, Salvador, 2012.



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Do encantamento ao desprezo: a memória construída do indígena e o povo brasileiro





A chegada dos europeus à América, em 1492, é o marco do “encontro” entre povos nativos e os homens vindos do velho mundo. Amenizada para “descoberta”, a invasão cometida há séculos atrás, provocou uma verdadeira revolução cultural, territorial e política. Uns dos temas mais comentados pelos europeus sobre a América eram os nativos que aqui viviam. Viajantes com seus relatos despertaram muitas curiosidades nos povos de além mar. Títulos foram escritos inspirados nas histórias que se ouviam dos navegadores. Utopia, uma das obras mais influentes do século XIV, escrita pelo teólogo e humanista inglês Thomas Morus, foi uma coletânea de informações adquiridas em conversas com marinheiros irlandeses que haviam estado no Brasil. O livro indicava uma sociedade perfeita, igualitária e vivendo em plena harmonia. Era o encantamento sobre as populações nativas encontradas aqui. Michel de Montaigne, francês, também era um verdadeiro admirador dos Tupinambá. Pôde compreender a importância e o simbolismo do ritual de canibalismo praticado pelos mesmos, opondo-se aos julgamentos de que os indígenas eram “selvagens”. Rousseau, contrariando as teorias de Hobbes, escreveu que o homem é bom, a sociedade (capitalista) que o corrompe, afirmando assim que os únicos bons seriam as populações indígenas brasileiras. A dicotômica trajetória histórica do indígena ora como bom selvagem, ora como mau, perdura até os dias atuais.
Um estereótipo moldado desde o período colonial português ainda se mantêm presentes tanto na historiografia mais tradicional, como no imaginário de grande parte da população. A construção da memória histórica brasileira baseia-se em um indígena como “museu vivo”, ou seja, imutável, preso a um passado deveras distante.  Presentes apenas nos primeiros capítulos que se estudamos sobre a História do Brasil, os povos indígenas são omitidos como seres históricos que são. Pois eles são, senhores e donos de suas trajetórias históricas, pois “vivem na natureza, mas a modificam, criando novos ambientes. Agregam excedentes econômicos, criam sociedades complexas” (Gomes, 2013). Um exemplo de organização que poucos puderam compreender a fundo é o sistema de parentesco de algumas etnias.
Cada vez mais estudiosos da área indigenista encontram inúmeras evidências de eventos históricos interessantíssimos sobre as sociedades nativas americanas, reescrevendo a História Indígena mais próxima de sua realidade. Bertazoni (2013) descreve como eram as relações entre as sociedades incas e, as nem tão sistematizadas, sociedades amazônicas, pois “apesar dos conflitos (...) elas conseguiram estabelecer intercâmbios”. Episódio esse, até pouco tempo conhecido e desconhecido pela grande parte da população.
Toda a memória construída e presente até hoje sobre os povos indígenas deve ser revisada. Pois, antes da chegada dos europeus, o continente americano vivia dialeticamente e possuía uma história, como qualquer outro. Ao contrário de muitos viajantes da época em seus escritos descritivos sobre as sociedades indígenas afirmaram, só porque essas eram ágrafas não quer dizer que não davam importância ao seu passado. Ou que não tivessem uma história. Verificamos isso, ao perceber que praticamente todas as etnias têm seus mitos. Parecem fantasiosos? Mas é história. Em seus mitos, seus ritos e tudo o que podem produzir como grafismo, artesanato e até mesmo suas decisões contemporâneas, é história.
Acontece conosco não indígenas, não é mesmo? Somos identificados e afirmados como sujeitos históricos. Por que seria diferente com a população indígena? Somos possuidores, também, de memórias que não são nossas, concebidas durante os séculos, os anos que se passaram. Às vezes muitos dos fatos que consideramos como parte da nossa história nem vivenciamos, mas ela nos pertence. Estas memórias como seres sociais e históricos, nos permitem compreender nossa realidade, ter cautela ou evocar um fato passado para auxiliar em um acontecimento presente. As manifestações que tomaram o Brasil, por exemplo, foram às pessoas evocando um passado cheio de vontade de mudança, Nós jovens, não estávamos lá, mas sabíamos que poderíamos como brasileiros retomar a velha luta contra a impunidade. Essa memória coletiva advém das inúmeras memórias individuais durante toda a trajetória histórica. Inúmeros pontos de vistas formam a memória de todos, memória de uma nação.
Grande parte de nossa memória em relação às populações nativas foram fortalecidas pelos inúmeros enganos e pré-conceitos constituídos nos discursos do passado, que tomaram força pelo nosso desconhecimento sobre os mesmos. Entretanto, a memória indígena se mantém viva e continuamente florescendo para história. De suma importância, é ouvir essas vozes dissonantes, esses agentes históricos, para que nossa memória juntamente com a deles se tornem uma verdadeira memória coletiva e social. Para assim termos uma verdadeira identidade nacional. Todos nós reconhecemos o nosso pezinho na aldeia, nosso pezinho no quilombo, mas praticamente desconhecemos a realidade vivente dos brasileiros que se encontram nessa conjuntura. Uma identidade nacional vai muito além da fusão das “três raças”: branca, negra e indígena. Até porque o Brasil não se formou apenas por essas três etnias. O espírito da nação vem com o reconhecimento de nós nos outros brasileiros. Ou seja, por mais que tenhamos nossa identidade individual, nossos gostos particulares, a identidade nacional vem da assimilação de aspectos comuns que caracterizam os que compõem um Estado.
Contudo, os povos indígenas que também travaram suas lutas, foram atrás dos seus direitos e vontades, antes e depois da chegada dos portugueses, continuam compondo suas tramas históricas, ainda sofrem com a posição de subjugados e impostos a margem social. Infelizmente, há um enrijecimento no eterno pensamento sobre o indígena: o bom e o mau selvagem. Ora ele é puro, harmônico com a natureza, contra hidrelétricas e estradas em seus territórios. Ora é muito mau, pois vende madeira ilegalmente, utiliza-se da tecnologia, compra Hilux.
Acontece, que esse eterno pensamento dicotômico dificulta e muito para o reconhecimento das populações indígenas como pertencentes ao Estado brasileiro e verdadeiros cidadãos com direitos e deveres a serem cumpridos. É preciso um maior apoio e vontade de quebras os parâmetros de pensamentos tão consolidados, para que uma mudança profunda ocorra e essa memória distorcida seja modificada. Os povos indígenas, graças as suas lutas, conseguiram inúmeros reconhecimentos políticos, que por vezes não são cumpridos pelo seu desconhecimento social. Uma sociedade despreparada, quase sempre, comete muitos erros e esses erros sempre caem sobre a minoria subjugada da população.
 


Referências
BERTOZINI, Cristiana. A cordilheira e a Floresta. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, nº 91, pgs. 24-26, Abril de 2013.
CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Identidade, Etnia e Estrutura Social. São Paulo: Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, 1976. p. 33-52.
GOMES, Mércio Pereira. Bom selvagem, mau selvagem. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, nº 91, pgs. 33-35, Abril de 2013.
HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1990. p. 71-111.
SOUZA LIMA, Antonio Carlos. Um Olhar sobre a Presença das Populações Nativas na Invenção do Brasil. In: SILVA, Aracy Lopez da & GRUPIONI, Luiz Donisetti Benzi (Orgs.). A Questão Indígena na Sala de Aula. Novos Subsídios para Professores de 1º e 2º Graus. 1 ed. Brasília: Mec, 1995. p. 407-419.



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O índigena nos livros didáticos e outras considerações




            Quando penso como aprendi sobre o que era o “índio”, me recordo de fazer colar de macarrão, um cocar com recortes de papel A4 e cantar aquela velha canção dos indiozinhos no bote – passados 20 anos, essa mesma metodologia de ensino prevalece. Se houve um conhecimento mais aprofundado sobre os povos indígenas na minha época de ensino básico, foi através dos inúmeros títulos que minha mãe, uma devoradora de livros, me presenteava. Tinha um apego singular pela literatura de temática indígena. Um dos meus livros preferidos é Cem noites tapuias, apesar do “inimigo” ser os Xavante que raptavam pessoas, havia muito mais ali do que em qualquer ensinamento que eu dispunha em sala de aula.
            Um indígena genérico - que adora Tupã, constrói canoas, vive em oca, “selvagens”, “rudimentar” - é a imagem que sempre foi transmitida dentro e fora da escola. Evidencia-se com episódios, como “Juca Pirama” do Sítio do Pica Pau Amarelo e nas campanhas publicitárias. Pouco se analisa a vida dos povos indígenas, reproduzindo e promovendo sempre um mesmo estereótipo erroneamente (Coelho, 2007). O que é lamentável nisso tudo é a contribuição para estatizar a história do indígena e até mesmo promover o preconceito que há muito já deveria ter sido abolido.
            Analisar o papel que o indígena possui na história e nos livros didáticos é decepcionar-se com a realidade. O indígena pouco aparece na história do Brasil, pra se ter uma ideia. Consta com sua presença, de modo geral, no capítulo sobre a Pré História e depois só aparece quando se trata da colonização do Brasil, Império e no início da República – quando se analisa o nascimento do Brasil a partir das três “raças”: indígena, negra e portuguesa. De repente, o indígena some! Não se menciona coisa alguma a mais sobre eles.
Essa presença quase que discreta dos povos indígenas nos materiais didáticos e na própria história justifica-se pela historiografia adotada: privilegiando as grandes potências e ignorando a dinâmica própria do continente americano (Grupioni, 1996). Considerando que antes da “invasão” portuguesa, existiam aqui, em terras brasileiras, inúmeras nações com seus processos e agentes históricos, é necessário compreender a importância de resgatá-los e reconhecer que essas tramas históricas também fazem parte e são verdadeiros instrumentos para a compreensão histórica sobre nosso país e nossa própria identidade nacional. Entretanto, o marco inicial para os estudos da história do continente americano é a chegada dos europeus. Eles, por sua vez, são os protagonistas dos livros didáticos e tudo se desenvolve a partir deles.
Como dito anteriormente e feita a análise em alguns livros didáticos, fala-se sobre os nativos americanos de forma superficial, dá-se mais atenção aos grandes impérios da América Espanhola, ignorando as nações de organizações tribais (Petta, 2005). Este entendimento deve-se pelo fato de classificar o desenvolvimento das nações – os Incas, os Maias e os Astecas, por sua vez, seriam mais “desenvolvidos” que os outros povos. De todo o modo, a historiografia e a antropologia vêm desmistificando esse pensamento de escala evolucionista adotada durante séculos, compreendendo assim as particularidades dos diferentes sistemas culturais, desviando o olhar sempre tão etnocêntrico, aproximando-se de um ponto de vista mais pluricultural. A Academia desenvolve cada vez mais estudos pautados por essa ótica, o que falta agora são os livros da educação básica começarem a adotar essa perspectiva.
Para estabelecer a obrigatoriedade do ensino da História Indígena nas escolas, o governo sancionou a lei número 11.645/08, alterando a lei 10.639/03 que estabelecia apenas o ensino da História Afro-Brasileira. Juntas, modificaram a lei 9.394 que regulamenta as diretrizes e bases da educação nacional. A legislação diz que as histórias africanas e indígenas devem ser ministradas no âmbito de todo o currículo escolar. Acontece que aí temos um problema a ser analisado: o despreparo dos nossos profissionais da educação. Analisar a História Indígena compreende muito mais do que fazer alguma comemoração genérica no dia 19 de abril.
É preciso questionar principalmente os livros didáticos e o modo como o papel do indígena aparece. A construção simplificadora e estereotipada que a historiografia tradicional e os livros da educação básica reproduzem (Souza Lima, 1995) necessita ser revisada. Papel fundamental do educador que lida todos os dias com o material didático é questioná-lo e além, publicar esses questionamentos, dar voz a esse descaso.
O material didático deve ser urgentemente analisado, questionado e ter suas mudanças de acordo com as leis regulamentadoras do ensino. Por quê? Qualquer educador sabe que na maioria das vezes, a única leitura que o aluno propõe-se a ler é a do livro didático. Muitas vezes alheio ao que o professor fala em sala de aula, só estuda para a prova através do próprio livro didático. E o mesmo deve garantir o encontro do discente com a própria história, formar um cidadão crítico, pensante, que sabe analisar que não é só o vencedor que faz a história, que todos os povos são produtores e, principalmente, agentes históricos, entender o presente, refletir sobre a atual conjectura nacional e o universo que se é inserido.
Infelizmente, o estudo da História por muitas vezes não é interessante para o aluno por ser muito fora de sua realidade. A maneira como se é ministrada a matéria em sala de aula, a maneira como é feita a leitura da história nos materiais didáticos é deveras maçante. Até pra mim, historiadora e louca por histórias. Paulo Freire já dizia, qualquer que seja a matéria ministrada é necessário inseri-la na realidade do aluno e não o contrário.
De todo modo, com o estabelecimento da lei 11.645, a tendência é melhorar cada vez mais os materiais didáticos e produções mais reflexivas sobre o povo brasileiro.
Mas por enquanto, o que pode-se notar é a ausência de reflexão sobre os povos indígenas antes, durante e após o período português em terras brasileiras. “De acordo com Ronaldo Vainfas, a história indígena é uma história de enganos e incompreensões” (Ferreira, 2005): uma história de ausências. Lacunas históricas que devem ser preenchidas.
Refletir sobre a criação de cada um dos órgãos responsáveis pelos indígenas, a história indígena em si, desde a época da escravidão até os dias atuais, nos leva a questionar temas como: território indígena, autonomia indígena, saúde e educação indígena. Esse descaso pelas comunidades tradicionais reflete e muito na história delas. São brasileiros como nós, mas sempre subjugados e impostos a margem da sociedade. Se os próprios brasileiros não se importam com seus “irmãos”, poderia o governo importar? Visto que o Estado somos nós e nós o construímos. E é papel fundamental formar logo na base, a consciência crítica e política dos futuros cidadãos. A importância de discutir a temática indígena em sala de aula está aí: na formação de cidadãos e políticos conscientes do que é justo.



Referências:
COELHO, Mauro Cezar. As Populações Indígenas no Livro Didático, ou A Construção de um Agente Histórico Ausente. GT: Educação Fundamental / n.13.

GOMES, Mércio Pereira. Os Índios e o Brasil. 2ª Ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

GRUPIONI, Luis Donizete Benzi. Imagens Contraditórias e Fragmentadas: sobre o Lugar dos índios nos Livros Didáticos. In: R. bras. Est. pedag.. Brasília, v. 77, n. l86, p. 409-437, maio/ago. 1996.

PERRONE-MOISÉS, Beatriz. Índios livres e índios escravos: os princípios da legislação indigenista do período colonial (séculos XVI a XVIII). In: CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). História dos Índios no Brasil. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras/Secretaria Municipal de Cultura/FAPESP, 1998.

PETTA, Nicolina Luiza de. História: Uma abordagem integrada. Volume único. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 2005.

ROCHA, Everardo. Pensando em Partir. In: O que é etnocentrismo. São Paulo, Brasiliense, 1980

SILVA, Leonardo Soares Quirino da. Abolição da Escravidão Indígena: 1680 ou 1755? Disponível em: < http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/historia/0036.html> Acesso em: 08/08/2013.

SOUZA LIMA, Antonio Carlos. Um Olhar sobre a Presença das Populações Nativas na Invenção do Brasil. In: SILVA, Aracy Lopez da & GRUPIONI, Luiz Donisetti Benzi (Orgs.). A Questão Indígena na Sala de Aula. Novos Subsídios para Professores de 1º e 2º Graus. 1 ed. Brasília: Mec, 1995. p. 407-419.